Não caia na armadilha do autoaperfeiçoamento

Eu era horrivelmente tímida quando criança, e detestava ser daquele jeito. Ao invés de uma menina calada e contida, eu sempre quis ser uma borboleta social. Eu queria ter sido mais engraçada, mais carismática, aquela pessoa que todo mundo quer conhecer.

Durante muito tempo, eu quis ser uma pessoa melhor. Tentava me tornar mais extrovertida, sociável, uma versão mais interessante de quem eu era.

Foram anos de batalha até eu perceber que estava conduzindo a situação da maneira errada. Na verdade, eu me toquei que não existe nada pior do que o autoaperfeiçoamento. Nós não temos que nos tornar uma pessoa melhor, ou mais forte, ou mais amável. Nada disso.

Aí você pergunta: Por que não, Therese?

Porque já somos a melhor versão de nós mesmos.

Lembra do Michelangelo? (Não a Tartaruga Ninja, o pintor renascentista). Você conhece a história de como ele criou sua famosa obra, David? Ele não se perguntou, “Como é que eu faço para que esse bloco de mármore fique mais brilhoso e maior?” Ele não tentou adicionar mais nada ao pedaço de mármore ou modificar sua qualidade natural. Ao invés disso, ele simplesmente foi lascando pedaço por pedaço até que o glorioso David surgiu. Na verdade, ele deixou que aquele pedaço de mármore se transformasse em algo que já existia.

Ao ser questionado sobre como fizera a escultura de David, ele disse: “Foi fácil, fiquei um bom tempo olhando o mármore até nele enxergar o David. Aí, peguei o martelo e o cinzel, e tirei tudo o que não era David!”

E é assim com a gente também. Ao invés de autoaperfeiçoamento, talvez devêssemos chamar esse processo de autoacolhimento. Afinal, o processo não é o de virar uma versão melhor ou algo que você não é, e sim reconhecer e acolher quem você é de verdade (ou no caso, quem nunca deixou de ser).

Aproprie-se da sua essência. Torne-se quem você realmente é.

Não tenho muita certeza de como e quando isso aconteceu, mas um dia eu percebi que talvez eu não precisasse me transformar em outra pessoa. Eu não precisava ser a borboleta social, ou o centro das atenções – eu estava bem com a pessoa que eu já era. E daí em diante comecei a me sentir cada vez mais confortável com o meu jeito quieto de ser e com as qualidades que eu já tinha.

Praticando o autoacolhimento, minha natureza quieta já não parecia mais insegurança ou timidez (como eu havia temido), e sim a característica de uma pessoa calma e acolhedora. Eu entendi que do meu silêncio emanava uma imensa força: eu falava pouco, mas quando falava, as minhas palavras tinham força e propósito.

E o mais estranho disso tudo: quanto mais eu valorizava o meu jeito, mais as pessoas se aproximavam de mim. Foi aí que eu me toquei de que havia alcançado o resultado que buscava há tantos anos.

Isso não aconteceu com o autoaperfeiçoamento, e também não aconteceu porque eu me tornei uma pessoa mais extrovertida ou carismática. Pelo contrário, aconteceu porque eu fazia com que os outros se sentissem à vontade e valorizados – eu dava atenção de verdade. E também porque eu me permiti tornar-me mais de quem eu já era – de me mostrar completamente como a pessoa que sempre fui, desde que nasci.

Se você quer atingir o seu maior potencial, não lute para se tornar uma pessoa melhor – e sim, seja você mesmo. Aceite e acolha a pessoa que você realmente é.

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Therese Schwenkler...

...é a autora e criadora do site TheUnlost.com, um blog dedicado a ajudar o leitor a encontrar rumo em sua vida, no amor e no trabalho. Com um linguajar despojado e divertido, e com apenas 29 anos, Therese publica artigos com foco no público jovem que até então estava mal servido por sites com dicas chatas e sem valor real. Leia seus artigos ou saiba mais sobre o autor.

Comments

  1. ESTA MATÉRIA,É MUITO IMPORTANTE POIS VALORIZA A AUTO ACEITAÇÃO,O QUE É FUNDAMENTAL PARA SE SENTIR FELIZ…

  2. Adorei

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Leia o post anterior:
O que você quer fazer da sua vida?

Essa é uma pergunta que quase todo mundo já se fez. É também uma pergunta que, na minha opinião, ninguém deveria se dar ao trabalho de fazer.

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