Você sabe mesmo o que é o amor de verdade?

Na época da faculdade eu namorei um cara chamado Will. Ele era inteligente, atencioso, carinhoso, bobo e aventureiro — foi o meu primeiro amor.

Eu me lembro dele sorrir e dizer, “Você é a coisa mais preciosa do mundo.” Ele me fazia sentir completa, me dava o que eu não podia dar a mim mesma.

“Eu te amo,” eu disse a ele inúmeras vezes.

Quando eu achava que ele não estava me dando a atenção de que eu precisava, parecia que o mundo ia acabar, que um pedaço estava me faltando, e daí eu sentia um enorme vazio… uma dor no coração. Então eu fazia de tudo pra voltar a me sentir “completa”.

”Eu te amo tanto,” eu dizia a ele. “Eu não vivo sem você!”

Em fevereiro de 2011, o Will decidiu tirar sua própria vida.

Por motivos que eu nunca irei entender, ele cometeu suicídio pulando de uma ponte em Portland, Oregon.

A gente já tinha terminado fazia tempo, mas a morte dele foi como uma rasteira pra mim. Eu havia conhecido ele de verdade; e ele a mim. Mesmo depois do término, a gente se falava com frequência. Conversávamos sobre as nossas vidas, nossos sonhos, medos, experiências… ele foi um dos meus melhores amigos nos últimos dez anos.

Precisou algo tão trágico acontecer para eu me tocar de uma verdade profunda: eu não sabia o que era o amor de verdade. Para ser sincera, esses anos todos eu estive totalmente equivocada.

* * *

“Você é tão bonita,” ele me dizia enquanto sentávamos na beira de um lago perto da casa de campo de sua família. Isso foi no verão de 2004, um dos muitos que passamos juntos nesse lugar. Ele me deu um enorme sorriso, bem estilo-Will, e me abraçou forte. Eu me desfiz em seus braços; inalei sua essência. Ali, naquele momento, eu me sentia completamente segura… me sentia amada de verdade.

Foram momentos como este que me faziam sentir com mais intensidade o que eu achava ser o amor. Meu coração ficava repleto com tudo o que ele me proporcionava: segurança, bem estar, calor humano.

Em outros momentos, esse afeto desaparecia, e então eu sentia o pânico de que o mundo estava para acabar. O meu coração parecia se esvaziar com a rapidez e intensidade de um balão furado.

“Isso deve ser amor,” eu pensei, “do contrario não doeria tanto!”

Mas na realidade, nenhum desses sentimentos era o amor. Sentir o coração cheio, vazio – esse era o amor que eu conhecia, e não o amor de verdade.

Não; isso era carência.

“Eu estou carente e preciso de você.” Era o que eu deveria ter dito a ele e a maioria das pessoas que eu havia amado.

“Eu preciso que você me faça sentir completa; eu preciso que você me preencha; eu preciso que você me faça sentir segura e amada. Eu preciso de você do fundo do meu coração.”

Eu achei que isso fosse o amor, mas estava errada.

* * *

Eu pensava no Will com frequência depois que ele se foi – em quem ele era e o que poderia ter sido, pensava no seu entusiasmo, exuberância… Meus pensamentos estavam direcionados à pessoa maravilhosa que ele foi.

E isso, eu acabei percebendo, era o amor.

Eu estava completamente encantada com a pessoa que ele havia sido. Totalmente diferente daquela sensação de carência – de querer me sentir completa e reconhecida.

Naquele momento a carência não existia – e nem aquela sensação de coração cheio ou vazio.

Na verdade, esse amor não tinha nada a ver comigo. Era o tipo de sensação que eu jamais havia sentido antes.

* * *

Foi então que eu me toquei de que, da mesma forma que eu nunca soube proporcionar esse tipo de amor verdadeiro, eu também nunca soube recebê-lo de ninguém.

No fundo, eu sempre imaginei que a outra pessoa também precisasse que eu a preenchesse de alguma maneira para então ser amada.

“Eu preciso que você me faça sentir completa; eu preciso que você me preencha; eu preciso que você me faça sentir segura e amada. Eu preciso de você do fundo do meu coração.”

Essas coisas que eu estava transmitindo aos outros, eu imaginei serem as mesmas que os outros estavam me transmitindo. Mas no fundo existia um sentimento inexplorado: “Quem eu sou, do jeito que eu sou apenas não é o suficiente. Para ser amada, eu preciso dar ao outro aquilo que eu imagino ele(a) deva estar precisando.”

Então durante toda a minha vida eu agi dessa maneira, e parecia ser um ato forçado, algo que me deixava sentindo um pouco vazia, pois até nisso existia uma carência: eu precisava receber amor em troca.

Sim, eu dei o que eu achava que o outro precisasse – mas será que esse foi um ato verdadeiro?

Sim, eu amei do meu jeito – mas será que eu amei de verdade?

E isso me fez chorar…

Chorei de tristeza, mas também por gratidão – gratidão de saber, depois de todos esses anos, o que era o amor incondicional, sem precisar de nada em troca. Como um pássaro voando pela primeira vez, eu estava livre daquela gaiola de sentimentos falsos.

Eu agradeço ao Will todos os dias pelo presente valioso que ele me deu: a habilidade de ver o valor de cada pessoa na minha vida e a capacidade de separar meus sentimentos condicionais do valor incondicional que é o amor, algo bem mais verdadeiro e profundo.

* * *

Nós todos vivemos ilusões diferentes sobre o que é o amor, e eu sei que as suas não são as mesmas que as minhas. A sua história pode ser bem diferente – pode nem ser sobre carência… pode ser sobre perfeição ou separação, ou ate mesmo medo.

Mas independente do tipo de historia, tente se fazer a pergunta mais importante de todas: essa minha história, ela é realmente verdadeira?

Você deve isso às pessoas que tem importância pra você. Você deve isso aos seus pais, marido, esposa, e a todos aqueles que você já amou ou vai amar. Você deve isso aos seus filhos ou futuros filhos, mas acima de tudo, você deve isso a si mesmo, pois quando se aprende a dar amor, você também aprende a recebê-lo – e com isso, aprende que o amor esteve aqui esse tempo todo.

Então se pergunte o seguinte:

  • Será que o amor que eu conheço é mesmo amor?
  • Será que eu já me encantei com alguém do jeitinho que essa pessoa é, e por nenhum outro motivo?
  • Será que eu já amei por completo e incondicionalmente?
  • Será que eu sei mesmo o que é o amor de verdade?

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Therese Schwenkler...

...é a autora e criadora do site TheUnlost.com, um blog dedicado a ajudar o leitor a encontrar rumo em sua vida, no amor e no trabalho. Com um linguajar despojado e divertido, e com apenas 29 anos, Therese publica artigos com foco no público jovem que até então estava mal servido por sites com dicas chatas e sem valor real. Leia seus artigos ou saiba mais sobre o autor.

Comments

  1. Pedro Netto says:

    Parabéns pelos seus artigos!

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