3 regras simples para tomar decisões bem tomadas

Qual a melhor maneira de evitar arrependimento em relação a decisões que já foram tomadas?

Eu sei que existem vários conselhos sobre o tema espalhados por aí, principalmente na web, mas poucos realmente fazem diferença na hora “H”, quando você não consegue se decidir:

  • “Dê ouvidos a sua voz interna!” – Tá, faz sentido, mas a que voz eu devo dar ouvidos: à que me diz que eu amo o meu namorado e que tudo vai melhorar, ou à que me diz que está na hora de seguir em frente?
  • “Dê um tempo.” – Foi o que eu fiz. Semanas se passaram e tomar uma decisão continuou tão difícil quanto antes.
  • “Faça uma lista dos pontos positivos e negativos.” – Você tá falando daquela lista que fica zanzando na minha cabeça dia e noite?! Tá, eu já decorei essa lista. A única coisa que eu ainda não sei é a que conclusão chegar.
  • “Deixe o seu coração falar mais alto.” – Como assim? O que isso significa exatamente?!

O escritor Jonathan Maberry já dizia, “Existem momentos que definem uma vida inteira. Momentos em que tudo o que uma pessoa é ou pode vir a ser estão ligados a uma única decisão.”

Sem querer fazer pressão, mas ele tinha razão: As decisões que você toma hoje irão alterar o rumo da sua vida. O que você vai cursar na faculdade, o trabalho que vai escolher (ou largar), o relacionamento que decidir terminar (ou não)… cada uma dessas decisões vai te levar numa direção bem diferente. E eu repito: os riscos são altos, afinal, você está apostando com a sua vida.

Então, como tomar a decisão certa num mundo sem garantias?

Veja essas 3 regras simples para conseguir tomar decisões certeiras:

1. Acione o método “Ou”

  • “Devo pedir demissão ou continuar no meu emprego?”
  • “Devo contratar esse candidato ou este candidato?”
  • “Devo terminar com o meu namorado, ou permaneço neste relacionamento?
  • “Devo me mudar para Austin ou para Chicago?”

Sempre que a palavra “ou” existir na sua tomada de decisão, pare imediatamente e considere se você realmente tem que escolher uma coisa ou outra.

Considere isso como um exercício que irá forçá-lo a pensar mais profundamente sobre alternativas não exploradas.

Porque o negocio é o seguinte: se a gente olhar a tomada de decisão como sendo apenas uma questão entre uma coisa ou outra, estaremos certamente fechando os olhos para alternativas que podem acabar sendo bem melhores.

Se faça as duas perguntas abaixo e talvez você chegue a uma terceira alternativa, que pode acabar sendo bem melhor – ou no mínimo, você terá a consciência tranquila, sabendo que considerou uma gama de possibilidades ao invés de se prender à ilusão de que existem apenas duas opções disponíveis.

1.1 O que você faria se não pudesse escolher nenhuma das duas opções?

Os autores Dan & Chip Heath chamam isso de “teste de opções ausentes”: O que você faria se não pudesse escolher nenhuma das duas opções – ou seja, se tanto a opção A quanto a B não estivessem mais disponíveis.

Por exemplo, ano passado um amigo meu estava agoniado com a decisão entre permanecer num emprego onde se sentia estagnado e insatisfeito, ou largar este emprego e ir procurar trabalho em outra empresa.

Na mesma hora o meu método “ou” foi acionado, e eu acabei me levantando e gritei “PARA TUDO!”, no meio do Starbucks.

“David, o que você faria se nenhuma dessas duas opções estivessem disponíveis?” Eu perguntei com firmeza.

“Bom”, ele pensou um pouco, “Acho que eu provavelmente iria conversar com o meu chefe sobre possíveis oportunidades em outras áreas de meu interesse dentro da empresa. Eu posso, também, dar início a um projeto paralelo com alguns colegas de ramo e ver o que acontece.”

Adivinha o que aconteceu?

Foi exatamente isso o que o David fez. Hoje ele tem uma nova posição no seu trabalho da qual realmente gosta. Recebeu um bom aumento por ter tido iniciativa, e – ah – não sei se eu já mencionei, ele também está com um projeto paralelo que está dando super certo e trazendo paixão ao que ele faz.

Às vezes a melhor opção é a terceira – aquela que até então você não enxergava.

1.2 E se você pudesse escolher as duas opções?

Descobrir se faz sentido considerar as duas opções, também é uma opção.

Por exemplo, eu converso com várias pessoas que não conseguem se decidir entre continuar em seus empregos ou pedir demissão e correr atrás de construir um negócio próprio.

E na maioria das vezes, quando eu pergunto sobre a possibilidade de fazerem os dois, uma lâmpada se ascende em suas cabeças. Isso não apenas elimina o risco de se tomar uma decisão tão grande, como também proporciona a opção de fazerem vários testes para ver se suas ideias de negocio são viáveis.

Outro exemplo: ao invés de escolher entre dois candidatos qualificados para uma vaga de emprego, uma empresa onde eu trabalhava contratava dois ou mais candidatos por um período de experiência, e eventualmente estendia a oferta de emprego para o candidato ou candidatos que se encaixavam melhor na vaga. Veja como isso diminui o risco a curto prazo e aumenta a probabilidade de uma decisão bem tomada. Então, quando você acionar o método “ou”, não se esqueça de considerar também escolher as duas opções.

2. Parta em pedaços

Quando eu sinto que uma grande decisão está me deixando contra a parede e paralisada, geralmente é porque eu ainda não tenho informação suficiente para analisar de verdade as minhas opções.

Nesse caso, a solução geralmente envolve partir a decisão em pedaços menores.

Pense nisso: uma questão do tipo “Devo me inscrever no curso de Direito?” pode parecer grande e assustadora, e fazer com que você fique agoniado por meses ou até mesmo anos.

E o pior é que muita gente toma essa decisão (que vai te custar vários anos de vida, gerar uma grande dívida, estresse, suor e lágrimas) mesmo sem ter a menor Idea do que é realmente trabalhar com Direito.

Mas você pode evitar esse destino: parta as suas grandes decisões em tamanhos mais fáceis de se digerir, e verá que existem várias outras decisões menores que precisam ser tomadas antes que você consiga realmente se decidir na questão maior.

Ao invés de se estressar com a questão, “Devo me inscrever no curso de Direito?”, foque em questões menores, do tipo:

  • “Será que vale a pena conversar com alguém da área e fazer uma entrevista informal?”
  • “Será que vale a pena passar um tempo num escritório de advocacia e ver realmente como é o dia-a-dia de um advogado?”
  • Será que vale a pena explorar outras opções que irão me proporcionar experiência / contatos nesse ramo?

Você tem informação suficiente para tomar essa grande decisão?

Se a resposta for “não”, então pare de sofrer com as grandes dúvidas, parta-as em pedaços e foque nas decisões menores que precisam ser feitas antes.

3. Use o método 10-10-10

Este é um dos meus métodos favoritos e já me ajudou a tomar várias decisões difíceis (e importantes) com excelente clareza.

O método, criado pela autora Suzy Welch, envolve fazer três perguntas sobre a decisão a ser tomada:

  • Quais serão as consequências da minha decisão daqui a 10 minutos?
  • Daqui a 10 meses?
  • Daqui a 10 anos?

Após vários meses trabalhando meio expediente numa empresa de marketing online e o resto do tempo desenvolvendo o meu próprio negócio com o site The Unlost, eu me peguei tendo que tomar uma decisão: tava ficando cada vez mais difícil dividir o meu tempo e energia entre os dois trabalhos. E mais, eu estava recebendo outras propostas de emprego, o que me tentava a dedicar ainda menos tempo e energia ao meu site.

O que fazer?

A princípio, eu não tinha certeza de nada e estava inclinada a continuar com o meu emprego, porque parecia ser o caminho mais seguro e fácil de se seguir. Mas assim que eu utilizei o método “10-10-10”, tudo mudou.

Eu me toquei de que se continuasse dividindo o meu tempo e energia entre os dois trabalhos, ou decidisse aceitar uma outra oferta de emprego, que eu iria me sentir melhor a curto prazo: em 10 minutos eu me sentiria mais segura financeira, mental e emocionalmente.

Mas em 10 meses eu iria me sentir impaciente, pois teria me dedicado a algo que estava me distanciando cada vez mais e inibindo a minha habilidade de trabalhar com o que realmente importa pra mim.

E em 10 anos eu ia me arrepender de nunca ter me comprometido de verdade com algo que poderia ter dado certo. Vou olhar pros últimos 10 anos como uma coletânea de potencial mal utilizado. (AAAH, que sensação horrível!)

Aí eu me toquei de que o outro lado da moeda não tinha consequências tão ruins assim. Se eu largasse o meu emprego e me dedicasse ao meu próprio negocio, e este terminasse por ser um fracasso, isso não teria um grande impacto a longo prazo: em 10 meses eu provavelmente seria capaz de arrumar um outro emprego e em pouco tempo me recuperaria financeiramente. Em 10 anos, isso tudo teria sido apenas um pequeno “detalhe” do qual provavelmente eu nem iria lembrar direito.

E tem mais, eu me toquei de que mesmo que eu “fracassasse”, nunca teria que viver com o arrependimento de não ter tentado. Eu poderia dizer, “Eu fiz o meu melhor e aproveitei a vida.”

Uma vez que eu olhei a situação desse angulo, a decisão foi fácil: desde então eu cortei bastante as minhas horas dedicadas a outros trabalhos, e foquei como uma águia no meu objetivo principal.

Se você precisar de mais claridade na hora de tomar uma decisão, use o método “10-10-10” e irá se surpreender com o resultado.

foto: Mike_tn

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Therese Schwenkler...

...é a autora e criadora do site TheUnlost.com, um blog dedicado a ajudar o leitor a encontrar rumo em sua vida, no amor e no trabalho. Com um linguajar despojado e divertido, e com apenas 29 anos, Therese publica artigos com foco no público jovem que até então estava mal servido por sites com dicas chatas e sem valor real. Leia seus artigos ou saiba mais sobre o autor.

Comments

  1. Ademario brito de jesus says:

    Parabens ,gostei da clareza. Principalmente dos metodos dos dez.

  2. obrigado ajudou bastante

  3. obrigado !

  4. Otimo…parabéns pelas dicas.

  5. Obrigada, vou tentar tomar atitude sobre meu relacionamento. Não está tudo bem. Enquanto eu não me sentir feliz por completo.

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