Não pague suas contas

Você pensa em largar o emprego e trabalhar por conta própria mas fica preocupado em como irá pagar suas contas?

Hoje eu consigo aproveitar o melhor dos dois mundos. Pago as minhas contas tranquilamente com o dinheiro que ganho de renda passiva, trabalho somente com o que gosto e tenho muita liberdade. Mas quando estava só começando, tinha que abrir mão de uma coisa ou de outra. Às vezes eu precisava deixar vencer as contas de cartão de crédito, luz, gás, telefone e até aluguel. Eu simplesmente não tinha o dinheiro.

Obviamente, não pagar as contas tem suas consequências. Meu histórico de crédito ficou prejudicado durante muitos anos. Tive que vender várias das minhas coisas pra poder comprar comida. Perdi meu escritório. Fui expulso do meu apartamento. Tive que declarar falência. Mas não estava disposto a arrumar um emprego só pra remediar o problema. Melhor perder um apartamento do que viver em uma gaiola.

Eu nunca dei calote em pessoas, mas certamente fiquei devendo dinheiro a empresas. Elas assumiram um risco comigo e perderam. Foi uma decisão delas. Duvido que algum empregado dessas empresas tenha perdido o sono por causa das contas que eu deixei de pagar.

Eventualmente, eu aprendi o que precisava aprender, mas no início eu era muito inexperiente para conseguir ganhar o suficiente para pagar as contas sem ter que depender de um emprego. Eu escolhi as estratégias erradas para gerar renda e tive péssimos resultados. Então não paguei as minhas contas, e aceitei as consequências que isso gerou.

Uma conta é apenas um número. Não tem significado algum a não ser aquele que você associa a ele. Você pode achar que não pagar uma conta é um ato deplorável de desonra mas, pra mim, isso é apenas uma experiência de aprendizado – uma lição. É um pequeno oops.

Se as minhas contas entram no meu caminho de crescimento, deixo elas pra trás.

Você tem ideia de quantas contas eu deixei de pagar a fim de buscar o caminho em que me encontro hoje? Dezenas, talvez centenas se você contar com as notificações de cobranças vencidas. Pelo menos $150,000 das minhas contas nunca foram pagos. Isso aconteceu há muitos anos, bem antes de eu começar a blogar e, claro, eu tive que lidar com as consequências.

Consequências negativas podem se tornar grandes aprendizados, mas não ache que elas são punições a serem evitadas a todo custo.

Não pagar as contas faz com que você ganhe um tapinha na mão. Minha mão ganhou vários tapinhas, mas eles não precisam ser temidos. Você se acostuma. Se você estiver comprometido com seu caminho de crescimento, espere receber vários tapinhas na mão. Faz parte do processo.

Na maioria das vezes, quando eu não pagava uma conta, o primeiro tapa vinha em forma de uma notificação de cobrança vencida. Ui! Aquelas LETRAS MAIÚSCULAS EM VERMELHO podiam me fazer tremer de medo, ou eu podia simplesmente jogá-las fora e continuar com o meu dia.

Às vezes eu recebia ligações de agencias de cobrança… até 10 vezes no mesmo dia. Uma boa saída aqui é não pagar a conta de telefone também. :)

No início eu realmente achava essas consequências estressantes. Mas quando isso se tornou corriqueiro, porque eu estava realmente afundado em dívidas, já não me preocupava tanto com isso. Eu descobri um outro tipo de liberdade. Parei de me preocupar e aceitei as consequências das minhas decisões. O medo, na verdade, era muito pior do que a realidade. Eu percebi que as minhas dívidas eram processadas por uma máquina. E a psicologia empregada para tentar fazer com que eu pagasse as minhas contas era toda baseada no medo, vergonha e culpa. Agentes de cobrança tentavam fazer com que eu me sentisse um fracassado por não pagar as contas. Mas quando percebi o que eles estavam fazendo, parei de deixar que me tratassem daquela forma, e os cobradores se tornaram bem menos poderosos. É claro que eles ainda poderiam prejudicar o meu crédito no mercado, mas não podiam mais me fazer sentir péssimo, preocupado ou estressado sem a minha permissão.

Eventualmente, isso tudo virou um jogo pra mim. Todo esse rebuliço por causa de um número em um banco de dados? Quando os agentes de cobrança ligavam, eu perguntava a eles sobre suas vidas pessoais, ou inventava respostas bobas para perguntas do tipo “Quando você pode fazer um pagamento?”. Quando fui expulso do meu apartamento, me mudei para um mais barato. E quando não tinha mais móveis, usei uma caixa grande de papelão como mesa. Percebi que as minhas coisas eram vulneráveis à perda, mas a minha atitude não precisava ser tão fraca e tímida, mesmo na péssima situação financeira em que me encontrava.

Essa foi uma ótima época de crescimento para mim. Aprendi a me desapegar de dinheiro e bens materiais, a me virar sozinho e a lutar pelo meu direito de cometer erros sem ser tratado como um fracassado. Essas lições estão comigo até hoje. Agora que eu tenho algum dinheiro, não tenho medo de perdê-lo. O dinheiro não tem mais o poder que tinha sobre mim. Não tenho medo de falir novamente.

Ganhar dinheiro também se tornou muito mais fácil. Como eu já estava falido, decidi focar nas coisas que realmente gostava de fazer, expressar minha criatividade e fazer uma contribuição sem ter que me preocupar em como ganharia dinheiro. Ironicamente, esta é exatamente a atitude que consegue gerar renda abundante. Todo ano, desde então, tem sido financeiramente abundante (faz quase 15 anos). Vai entender.

Um motivo pelo qual a cultura do emprego normalmente leva as pessoas a terem medo de tapinhas na mão é que esse tipo de cultura é geralmente movida a medo. É assim que eles mantêm as pessoas na linha e condicionadas a realizar trabalhos que não querem. Às vezes é super difícil, pra mim, manter conexões interessantes com quem trabalha em um emprego há muito tempo, porque muitos deles têm medo da própria sombra. Há algum tempo, escrevi uma conversa em formato de sátira com o objetivo de mostrar o quão absurdo a mente de um assalariado soa para um trabalhador independente.

Meus amigos independentes parecem nunca se perguntar “Mas como vou pegar minhas contas?”. Eles sabem que, se não podem pagar as contas, as contas não serão pagas, eles irão lidar com as consequências, e a vida vai continuar indo bem. Mas meus amigos assalariados geralmente já estão condicionados a acreditar que não pagar as contas é um dos piores pecados imagináveis – um fracasso gigante, que precisa ser evitado a todo custo.

Estou sugerindo que você se torne loucamente irresponsável e gaste dinheiro como um doido? De jeito nenhum. Mas também não tenha medo de apostar em si próprio e correr riscos. Você vai perder algumas apostas, mas tudo bem. Limpe a poeira dos ombros e tente novamente. De que outra forma você irá aprender se não tentar? E você tem direito a mais de uma tentativa – a várias, na verdade!

Então, a resposta àquela pergunta “E se eu largar o meu emprego e não conseguir pagar as contas?” é bem direta. Se você não conseguir pagar as contas, não pague-as. Fique tranquilo e tenha a certeza de que, se você não pagar as contas, o universo não vai explodir.

Isso é contra as regras? Sim, é contra as regras.

Se você não pagar as contas, isso obviamente quer dizer que você é uma pessoa desonesta que certamente vai pro inferno. Mas eu vou estar lá também, apodrecendo bem ao seu lado naquela área especialmente quente reservada para os quebradores de regras. Você provavelmente vai me encontrar perto da fogueira de notificações de cobrança, com várias pessoas dançando ao redor em celebração à liberdade. A fumaça que sai da nossa fogueira provavelmente vai irritar os agentes de cobrança que estarão tocando suas harpas no paraíso, e qualquer AVISO EM LETRAS MAIÚSCULAS E VERMELHAS que eles nos enviarem em resposta poderá ser usado para manter o fogo aceso. ;)

P.S. Obrigado, WordPress, por incluir os nomes das cores em cima dos botões de cada uma delas. Isso possibilita que uma pessoa daltônica, como eu, saiba qual cor na palheta é realmente a vermelha. :)

foto: manmadepants

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Steve Pavlina...

...é considerado o blogueiro internacional mais bem-sucedido e popular na área de desenvolvimento pessoal, com leitores em mais de 150 países. Por mês, seu site atrai mais de 2 milhões de pessoas - e isso sem propaganda, apenas no boca-a-boca. Leia seus artigos ou saiba mais sobre o autor.

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