Aprendendo com o fracasso

Ano passado eu fracassei tantas vezes que até perdi a conta. Não importa a frequência com que eu tenha fracassado, o medo de fracassar é sempre angustiante, intenso, e nada agradável.

No começo de 2011, pela primeira vez na vida, eu fiz uma resolução de Ano Novo, na qual decidi que não ia comprar nada durante um ano. Foi uma baita decisão, eu sei.

Dois meses depois de fazer minha resolução, meus pensamentos a respeito de comprar coisas havia mudado radicalmente. No começo, quando eu queria comprar alguma coisa eu pensava: – Olha só isso. Parece legal. Acho que vou comprar.

Mas eventualmente eu acabava encarando o fato de que não podia comprar aquilo. No final do quarto mês, algo de extraordinário aconteceu: eu não tinha mais este impulso de comprar coisas novas. Todo o meu processo de pensamento a respeito do consumo impulsivo havia mudado.

Em outras palavras, eu tinha acidentalmente me reprogramado.

O motivo da minha resolução foi provar que eu não precisava comprar mais coisas durante um ano, mas aprendi que eu também estava mudando no processo. Depois de algum tempo eu não queria mais comprar coisas por impulso. O interminável desejo de consumir tinha desaparecido. Isso foi – e continua sendo – uma sensação maravilhosa.

Bom, passaram-se seis meses, e então algo de infeliz aconteceu: eu derramei chá em cima do meu computador. Ele não ligava mais, estava quebrado. Felizmente, meu primeiro pensamento não foi: – Acho que vou comprar outro computador. Ao invés disso, meu primeiro pensamento foi: – Como eu posso viver sem ele?

Depois disso eu passei várias semanas sem computador. Eu escrevia tudo à mão, o que parecia rabiscos de um louco. Eu acessava a internet em bibliotecas, na casa de amigos, em qualquer computador exceto no meu Macbook encharcado de chá.

Algumas semanas depois, o Ryan ofereceu me dar de presente um laptop novo no meu aniversário de trinta anos – uma oferta que eu recusei porque senti que seria trapaça. Então eu continuei firme, sem computador por mais várias semanas.

Uma hora eu percebi que eu era menos produtivo sem meu computador. Eu estava escrevendo menos, não estava gostando tanto de escrever e não estava mais me sentindo tão bem em relação ao que estava escrevendo. Percebi que estava me privando de uma ferramenta essencial. Pra mim, o minimalismo nunca teve a ver com privação. Ao contrário, o minimalismo diz respeito a se livrar dos excessos da vida em benefício do que é essencial. Pra mim, um computador era essencial, então eu comprei um novo.

E acabei comprando algumas outras ferramentas essenciais no restante do ano. Mas eu nunca voltei ao consumo guiado pelo impulso do ano anterior. Eu fui reprogramado, e estarei para sempre mudado pela experiência de não consumir mais por impulso.

Tente fazer isso pelos próximos quatro meses e veja o impacto que isso terá no seu lado impulsivo.

Conclusão, meu experimento foi um fracasso. Mas foi um fracasso positivo, e eu sou grato por isso.

A resolução deste ano? Bem, eu não tenho nenhuma meta específica, mas planejo continuar aprendendo com os meus erros.

E você?

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Os Minimalistas...

...são Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, que escrevem artigos sobre como ter uma vida mais completa e feliz possuindo menos coisas. Em 2010, criaram o site TheMinimalists.com, que hoje já conta com mais de 100.000 seguidores. Leia seus artigos ou saiba mais sobre o autor.

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