A síndrome do monge de três dias

No passado (às vezes ainda hoje em dia), eu frequentemente me tornava o que os japoneses chamam de “monge de três dias”.

É uma síndrome muito comum — você fica obcecado por alguma coisa por um curto período de tempo, mergulhando no assunto por uma ou duas semanas, e depois esquece.

Quantas vezes você fez isso? Seja honesto. Todos nós já fizemos isso várias vezes — com exercícios, dietas, aprendendo algo novo (como um idioma), com um novo hobby.

Um monge de três dias coleciona poucas conquistas, porque uma intensa explosão de interesse durante um curto espaço de tempo não é suficiente pra realizar mudanças significativas. Como você pode ficar em forma se faz exercícios durante uma semana e depois para? Como pode aprender um idioma, linguagem de programação ou ainda aprender a escrever um livro se você investe apenas alguns poucos dias trabalhando nisso a cada seis meses?

O segredo é não ser um monge de três dias, mas sim um orador de 20 minutos por dia. Não um orador no sentido literal da palavra, também não precisa ser exatamente por 20 minutos — você pode fazer pela quantidade de tempo que funcionar pra você.

Como combater a síndrome do monge de três dias

Não existe segredo pra combater essa síndrome, exceto fazer o que for preciso para começar. Você pode fazer muito pouco, pode errar ou falhar totalmente. Mas você faz.

Veja abaixo algumas dicas que funcionam pra mim:

  1. Não se force. Isso não tem a ver com disciplina ou com fazer algo que você odeia por meio da força bruta. Tem a ver com fazer algo que você queira fazer. Então ao invés de se forçar, adapte isso de forma que se torne algo que você goste de fazer. Dar uma corrida pode ser um esforço horrível, mas também pode ser um tempo agradável que você passa esvaziando sua mente e aproveitando a paisagem. Aprender espanhol pode ser uma tarefa que você abomina, mas também pode ser uma forma de curtir boa música, aprender uma cultura diferente e descobrir novos filmes. Acredite: você não irá muito longe em nada na vida se tiver que se forçar todos os dias.
  2. Aumente o ritmo gradualmente. Atirar-se em alguma coisa com força total pode funcionar por um tempo, mas depois fica difícil continuar executando a tarefa todos os dias. Aumente gradualmente a frequência do que você faz, para que cada passo continue sendo fácil e divertido.
  3. Use o ímpeto. Quando as coisas estiverem andando, aproveite a força da inércia para continuar. Quando eu corro em uma descida, consigo percorrer a mesma distância com bem menos esforço.
  4. Lembre-se do que você quer. Você está realizando algo porque, presumivelmente, é isso o que você quer. Quando paramos de fazer algo, é porque esquecemos do que queríamos. Começamos a ter medo por algum motivo e tentamos ignorar o que está acontecendo. Ao invés de agir desta forma, pare e pense, e tente se lembrar de por que você começou a fazer aquilo pra início de conversa. Ler algum material motivacional pode ajudar. Coloque este artigo nos seus Favoritos e releia sempre que achar necessário.
  5. Ligue o som. Quando não estou com vontade de me exercitar, coloco uma música. Ontem foi “Lose It” do Eminem. Eu fiquei tão pilhado que fui para a máquina de remo treinar por 3 minutos e fiquei exausto.
  6. Pare de ter dúvidas. Todo mundo tem dúvidas. Elas podem ser superadas ou nos impedir de sairmos do lugar. Você não sabe se conseguiria se comprometer com algo durante um longo período de tempo? Então esqueça a dúvida e simplesmente entre em ação. Prometa a si próprio que irá fazer isso pelo menos mais uma vez. Quando provar que estava certo, anote. E depois prometa novamente que fará isso pelo menos mais uma vez. Nem pense em imaginar o contrário.

Você pode ter sido um monge de três dias no passado, mas isso ficou pra trás.


foto: fyunkie

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Leo Babauta...

...é o criador do blog ZenHabits.net, um dos blogs em inglês mais visitados na internet, com mais de 240.000 assinantes e ranqueado pela revista Time como um dos Top 25 Blogs por dois anos seguidos (2009 e 2010). Leia seus artigos ou saiba mais sobre o autor.

Comments

  1. Amigo, acabo de receber uma copia de seu texto publicada no jusbrasil, na presente data. Não foi possível colacionar o link.

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